Após o carnaval o Brasil se defrontou com o que muito antes da festa de momo, tínhamos alertado: a farsa revelada da AP 470 - apelidada pela mídia de massa de "mensalão". A absolvição dos oito réus das acusações de formação de quadrilha comprova que toda a denúncia, desde o seu nascedouro, era falha, corroída e marcada pela infiltração da direita e das classes conservadoras no alto poder judiciário do país.
A resposta de Joaquim Barbosa, ao ver suas teses tão ferozmente defendidas, irem por água abaixo comprovam a derrota (mesmo que não total) da investida da direita, visando frutos eleitorais futuros, contra o governo e alguns representantes que mais promoveram transformações sociais duradouras e estruturais no país. Em ótimo artigo, publicado na Carta Maior, Saul Leblon, disse com boa clareza de análise, que a absolvição representou "uma das mais duras derrotas já sofridas pelo conservadorismo desde a redemocratização". Ouso concordar com ele...
Foram os conservadores que viram suas empreitadas antiprogressistas barradas pela atua decisão do STF. A fúria de Joaquim Barbosa representa o grunhidos de uma elite que não se conforma em ver o avanço progressista no país. Querem higienizar todos os "campos" que historicamente lhes pertenceram e foram tomados pela força de um projeto social robusto. Exatamente por isso, começam por tentar, através das mensagens da mídia, refazer as bandeiras conservadoras. Concordamos mais uma vez aqui, com Saul Leblon: "Se os bonitos manuais de redação valessem, o desfecho da AP 470 obrigaria a mídia ‘isenta’ a regurgitar as florestas inteiras de celulose que consumiu com o objetivo de espetar no PT o epíteto eleitoral de ‘quadrilha’.Demandaria uma lavagem de autocrítica. Que ela não fará".
A derrubada a acusação de quadrilha significa isso mesmo: o acenos mais do que claro à população de que o "tal" julgamento foi um circo armado, uma farsa, uma escada para oportunistas e para conservadores rechaçados. Quem não se recorda aqui da "fabulosa" teoria do domínio do fato (saiba o que é), que sustentou o absurdo das punições arbitrárias que assistimos das nossas tevês e camuflou as lacunas e a falta de provas dessa a denúncia estapafúrdia e colorida pela grande imprensa.
O Jurista Dalmo Dallari, naquela época já dizia que o julgamento era, no mínimo, estranho e mensionava a incoerência da tal teoria do "domínio do fato", que considerava ser uma teoria “de origem nazista” (talvez por isso, seja tão festejada pelos conservadores) e que condena os réus antes de eles serem julgados. “Os réus [da Ação Penal 470] estavam condenados antes de começar o julgamento, e isso ficou evidenciado depois em várias atitudes, várias decisões”, afirmou o especialista naquele momento - vejam o vídeo:
Vendo agora o desfecho do julgamento dos recursos que pediram a revisão das penas de "formação de quadrilha" para os acusados na AP 470, não tenho dúvidas em afirmar: Estávamos certos. O fatídico julgamento esteve corrompido desde o princípio...



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